Se o fornecedor do terminal lhe sugeriu ligar o sem contacto, ou se um cliente perguntou se aceitam toque, a resposta curta é que sim, vale a pena. Pagar sem contacto é encostar o cartão, o telemóvel ou o relógio ao leitor, em vez de o inserir ou passar. Só que o toque dura cerca de um segundo e raramente foi ele a atrasar a conta, por isso a pergunta útil é outra: qual das esperas da sua sala é que desaparece?
Que cartões, telemóveis e relógios pagam por aproximação
Pagam por toque três coisas: o cartão bancário com chip sem contacto, o telemóvel com um cartão guardado na carteira digital (Apple Pay, Google Pay ou Samsung Wallet) e o relógio com esse mesmo cartão na carteira.
Um cartão que aceita o toque traz um símbolo de quatro linhas curvas, parecido com o ícone de rede deitado de lado, normalmente na frente e junto ao chip. Sem o símbolo, o cartão continua a funcionar na ranhura, mas não paga por aproximação. O cliente pode verificá-lo antes de a conta chegar, e a equipa pode dizê-lo à mesa.
No telemóvel a história é outra. O cartão tem de ter sido adicionado à carteira, e a maioria dos aparelhos só paga desbloqueada ou depois de confirmar quem a segura. Quando um pagamento por telemóvel falha à mesa, veja estas duas coisas antes de culpar o terminal.
O que acontece entre o cartão e o leitor
Cartão e terminal comunicam por NFC (comunicação de campo próximo), uma variante de curto alcance do RFID, a tecnologia dos cartões de acesso a edifícios. O alcance é de poucos centímetros, por isso o cartão tem de vir mesmo junto ao leitor.
A antena do terminal alimenta o chip, que responde com os dados do cartão e um código válido só para aquele pagamento. O telemóvel faz um passo a mais: em vez do número verdadeiro do cartão, envia um número substituto, o token.
Para o terminal, um cartão e um telemóvel são o mesmo tipo de transação. Por isso o Apple Pay e o Google Pay não costumam exigir equipamento próprio: um leitor que aceita cartões por toque aceita, em regra, telemóveis assim que o sem contacto está ligado. Confirme-o com o fornecedor para o seu modelo.
Onde o toque falha à mesa de um restaurante
O primeiro limite é o teto. Acima de um valor por transação, fixado pelas redes de cartões e pelo adquirente, o terminal deixa de aceitar o toque simples e pede o PIN. O montante muda de país para país e vai sendo revisto: no Reino Unido passou de 45 para 100 libras em outubro de 2021. Alguns terminais pedem o PIN depois de vários toques seguidos com o mesmo cartão, seja qual for o valor. Um café nunca chega lá, mas uma mesa de oito com a conta toda junta chega com facilidade, e a essa mesa tem de chegar o teclado do PIN, não só o leitor.
Depois há a carteira inteira encostada ao leitor. Com dois cartões sem contacto lá dentro, os dois podem responder, e o terminal ou recusa o pagamento ou cobra o cartão que o cliente não queria usar. Basta pedir-lhe que tire um.
O terceiro problema só aparece mais tarde, na devolução. O pagamento por telemóvel corre com o token do aparelho, não com o cartão de plástico que está por trás, e por isso acertar a devolução obriga muitas vezes a ter o mesmo telemóvel outra vez ao balcão. Pergunte ao fornecedor como se devolve quando o cliente já foi para casa, e faça-o antes de o primeiro caso lhe cair num sábado à noite.
O quarto é a pasta da conta. Em muitos restaurantes americanos de serviço completo, o empregado leva o cartão a um terminal nas traseiras e volta com o talão para a gorjeta e a assinatura. O toque precisa do leitor diante do cliente, e essa rotina tem de mudar. A assinatura não é o obstáculo, porque as grandes redes de cartões deixaram de a exigir nos pagamentos com cartão na América do Norte em 2018. O obstáculo é a ida às traseiras.
Sem contacto, Tap to Pay e pagamento por QR não são a mesma coisa
Clientes e fornecedores usam estas expressões à toa, mas apontam para pontas diferentes do pagamento. Sem contacto descreve como o cartão ou o telemóvel do cliente chega ao leitor. Tap to Pay, nome que fornecedores como a Apple e a Google dão ao serviço, descreve o outro lado: o telemóvel de um funcionário a fazer de leitor quando não há terminal. Nos dois casos, o cliente toca.
Pagar por um código QR ou um link no telemóvel do cliente também se diz muitas vezes «sem contacto», embora nenhum cartão se aproxime de um leitor. O cliente escolhe cartão, Apple Pay ou Google Pay no navegador. Se quiser ver essa via com mais pormenor, leia como funcionam os pagamentos por código QR e onde falham à mesa.
Onde está o leitor decide quanto o cliente espera
O sem contacto resolve a forma como o cartão chega ao leitor. A posição do leitor é outra decisão, e é ela que fixa a espera.
O terminal fixo ao balcão é o ponto de partida, porque já lá está. O terminal portátil levado à mesa é um ganho real, mas também é uma questão de pessoal: só encurta a espera se houver alguém livre para o levar às 20h30 de uma sexta-feira. Pagar no telemóvel do próprio cliente elimina a viagem, desde que a conta exista num sítio onde ele a possa abrir, o que na prática quer dizer que o pedido foi registado de forma digital desde o início.
É na gorjeta que o toque corre bem ou fica desconfortável. No terminal portátil, o cliente responde ao pedido de gorjeta com o empregado ao lado; no telemóvel, responde sozinho. Antes de avançar, combine com o fornecedor como fica registada, porque há configurações que a somam à mesma autorização e outras que a lançam como segunda. O fecho do dia mostra as duas de maneira diferente, e a equipa que recebe as gorjetas ao fim de cada noite repara antes de si.
Há ainda uma vantagem lateral. Com o toque, o cartão deixa de andar pela sala, por isso não fica esquecido numa mesa nem volta para o cliente errado depois de uma conta dividida. O único cartão que continua a viajar é o da pasta, numa mesa onde nunca chegou um leitor.
Cinco perguntas ao fornecedor e uma medição
Num terminal moderno, o sem contacto costuma ser uma definição e não um projeto. Por isso mesmo é fácil ligá-lo sem ninguém ver o que muda a seguir. Estas cinco perguntas cobrem quase tudo:
O sem contacto já está ativo nos terminais que temos ou tem de ser ligado, e em que modelos?
Qual é o teto do toque no nosso mercado e o que faz o terminal acima dele?
Um toque custa-nos o mesmo que uma transação com chip? Os pagamentos por carteira digital têm outra taxa?
Como fica registada a gorjeta, e aparece numa linha ou em duas no relatório diário?
Como se devolve um pagamento feito com telemóvel quando o cliente já saiu?
Se não tem terminal nenhum, alguns fornecedores deixam o telemóvel de um funcionário ler o toque, com o nome Tap to Pay on iPhone ou em Android. Depende do fornecedor e do aparelho.
Depois, meça o que quer resolver. Numa noite cheia e numa calma, anote quanto passa entre a mesa pedir a conta e o pagamento ser aprovado, e veja onde se gasta esse tempo. Se o número não descer depois de ligar o sem contacto, a fila nunca esteve no terminal. O que há a mudar é a posição do leitor ou a forma como os clientes pedem a conta.
Deixar o cliente pagar no próprio telemóvel
Esta é a opção que pede preparação. São precisas duas coisas: a conta estar associada a uma mesa e o cliente conseguir abri-la no telemóvel sem instalar nada.
Na FineDine, a primeira resolve-se na configuração. Pode imprimir um código QR por mesa ou um só para a sala. O código por mesa leva a mesa para o pedido sem que ninguém a escreva. O código único imprime-se e substitui-se mais depressa, mas a mesa tem de ser identificada de outra forma.
O pagamento passa por fornecedores que talvez já use. A FineDine liga-se ao Stripe, ao Square e ao SumUp, e a fornecedores regionais como o Iyzipay e o MOKA na Turquia ou o Myfatoorah e o STC Pay no Golfo. Cartão, Apple Pay, Google Pay, numerário e gorjeta ficam registados no pedido, e a conta e o pagamento são um só registo em vez de dois.
O cliente também pode enviar um pedido de serviço a partir do menu, como pedir a conta. Deixa de precisar de apanhar o olhar de alguém, mas alguém na sala continua a ter de atender o pedido. É essa a espera em que o toque nunca mexeu.
Nada disto dispensa o terminal. Quem quiser tocar com um cartão físico continua a precisar de um leitor, e o numerário continua a ser acertado à mão. Se também pondera entregas e recolha, o texto sobre encomendas online para restaurantes trata desse canal.
| Forma de pagar | O que o cliente faz | O que é preciso | Atenção a |
|---|---|---|---|
| Toque com cartão | Encosta ao leitor um cartão com o símbolo sem contacto | Terminal com o sem contacto ligado | Teto do toque, dois cartões na mesma carteira |
| Carteira no telemóvel | Desbloqueia o telemóvel e encosta-o ao leitor | O mesmo leitor que aceita o toque com cartão, confirmado com o fornecedor | Cartão por adicionar à carteira, telemóvel bloqueado, devoluções ligadas ao telemóvel |
| Relógio | Encosta o relógio ao leitor | O mesmo leitor | As mesmas verificações do telemóvel |
| Telemóvel do funcionário como leitor | Toca com cartão ou telemóvel no telemóvel do funcionário | Um fornecedor com Tap to Pay on iPhone ou em Android | Disponibilidade depende do fornecedor e do aparelho |
| Código QR ou link no telemóvel do cliente | Abre a conta no próprio telemóvel e escolhe cartão ou carteira | Conta associada a uma mesa e forma de pagar online | O cliente decide a gorjeta sozinho, sem leitor |
Perguntas frequentes
- O toque do cliente foi recusado. O que verifico primeiro?
- Comece pelo lado do cliente: o telemóvel está desbloqueado, o cartão foi mesmo adicionado à carteira, há dois cartões sem contacto juntos na carteira? Depois compare o valor com o teto do toque e veja se o mesmo cartão já tocou várias vezes seguidas, porque alguns terminais pedem PIN nesse caso. Se nada disto se aplicar, ligue ao fornecedor.
- O Apple Pay e o Google Pay funcionam no terminal que já tenho?
- Em regra, sim. Um leitor que aceita cartões por toque aceita telemóveis assim que o sem contacto está ativo, porque o terminal vê o mesmo tipo de transação. Confirme com o fornecedor para o seu modelo.
- Qual é o limite do toque?
- É fixado pelas redes de cartões e pelo adquirente, muda de país para país e vai sendo revisto. No Reino Unido, por exemplo, subiu de 45 para 100 libras em outubro de 2021. Peça ao fornecedor o valor atual no seu mercado e o que o terminal faz acima dele.
- Um toque custa mais do que um pagamento com chip?
- Depende das taxas do seu fornecedor, por isso pergunte-lhe. Peça para saber se o toque tem o mesmo preço que uma transação com chip e se os pagamentos por carteira digital têm outra taxa.
- Pagar por código QR é o mesmo que sem contacto?
- Em sentido estrito, não, porque nenhum cartão se aproxima de um leitor. O cliente paga no próprio telemóvel com cartão, Apple Pay ou Google Pay. Para o cliente parece semelhante, mas exige que a conta exista em formato digital e esteja associada a uma mesa.
- Posso aceitar toques sem terminal de cartões?
- Alguns fornecedores vendem-no como Tap to Pay on iPhone ou em Android, com o telemóvel de um funcionário a fazer de leitor. Depende do fornecedor e do aparelho, por isso confirme ambos antes de planear à volta disso.


